Conta-nos a história que Jesus em um determinado dia e cidade foi abordado por um homem que há muito tempo sofria de uma doença grave chamada lepra.
Esta doença além de trazer um mal físico, que no meu entender, era o que menos incomodava àqueles que eram acometidos de tal doença, havia uma questão muito mais grave e triste a qual dizia respeito ao isolamento, ao desprezo pela sociedade, ao infortúnio que a vida lhe proporcionava, a ponto de muitos sequer notarem sua presença.
A Bíblia não nos relata em Lucas 5.12-16, quanto tempo aquele homem sofria daquela lepra, mas o que sabemos é que ele tinha esperança de que uma pessoa poderia curá-lo. É o que podemos vislumbrar do versículo 12 quando o leproso vira-se para Jesus e diz: “se quiseres pode limpar-me”.
Interessante que aquele leproso, conhecedor da lei da lepra, estabelecida no livro de Levítico no capítulo 14, pouco se importou com as regras, mas com o único propósito de se livrar daquela enfermidade que há muito tempo o incomodava, e quem sabe pensando que diante dele estaria à única oportunidade de se ver purificado; prostrou-se diante de Jesus e clamou: “Senhor, se quiseres, pode me limpar”.
E Jesus ao se deparar com aquela situação, quem sabe, pensou na lei dos leprosos a qual estabelecia o completo isolamento e sequer poderiam estes se aproximar das pessoas. O muito que poderiam fazer era manter certa distancia quando fossem falar com alguém.
Jesus se maravilhou muito mais com a atitude e coragem daquele homem, do que com as regras e imposições que a lei de Moises lhe apresentava, visto que por aquele simples ato de se aproximar dele, o leproso poderia ser punido.
Estendeu a mão, sem se preocupar com eventual punição e desaprovação daquela sociedade, tocou o leproso e disse: “quero, seja limpo”. E diz-nos a história que imediatamente a lepra desapareceu daquele homem.
Nos dias de hoje, nos deparamos com diversos “leprosos”, homens e mulheres que sequer têm o amor e amparo da sociedade. Que estão isolados e desprezados por aqueles que se acham melhores do que os outros ou por uma melhor condição social ou por razões de convicção seja filosófica, política ou social. Lamentavelmente, essa situação é corriqueira em nossos dias.
O que me deixa maravilhado e esperançoso, é saber que tanto naquele tempo quanto nos dias de hoje existem pessoas que têm olhos treinados em vislumbrar aqueles que sofrem por determinada mazela e que são verdadeiros cidadãos solidários, em busca de uma sociedade mais justa e igualitária. Que não se preocupam com as eventuais punições e desaprovação de uma determinada elite social, que não medem esforços para que a verdadeira solidariedade seja exercida em detrimento dos menos abastados e necessitados.
Estender a mão e tocar alguém, assim como Jesus fez àquele leproso, é dizer a aqueles que às vezes não conseguem enxergar um palmo a sua frente que existem pessoas atentas e sensíveis aos clamores sociais; é realizar o que de mais extraordinário uma pessoa pode fazer a outrem; é se preocupar com as necessidades e aflições daqueles que nos cercam; é enxergar o que poucos conseguem ver.
E você, de que lado está? Do lado daqueles que por ver o próximo sofrer de uma determinada enfermidade física ou psíquica, se afasta, condena aquele ao completo esquecimento e isolamento? Ou está do lado daqueles que conseguem enxergar os “leprosos” da nossa sociedade atual, assim como fez Jesus em sua época?
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