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A Dracma Perdida


Todos nós já perdemos alguma coisa na vida. Todos nós já passamos por determinadas situações em que não entendemos o porquê de tantas dificuldades e complicações, por ter perdido o que mais nos era útil.

As vezes questionamos as razões pelas quais temos de passar por dificuldades e problemas na vida, mas quase sempre nos esquecemos que da mesma forma que entramos em determinadas situações aparentemente insolúveis podemos sair delas com um grande aprendizado e de forma vitoriosa.

É o que nos ensina a bíblia no evangelho segundo escreveu São Lucas, no capítulo 15, versículos 8-9, que diz: Ou qual a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma dracma, não acende a candeia, e varre a casa, e busca com diligência até a achar? E, achando-a, convoca as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque já achei a dracma perdida”.

O texto nos informa que esta mulher ficou preocupada por ter perdido uma de suas moedas, a tal dracma perdida.

Momentos antes esta mulher contava com dez moedas que estavam em sua posse, porém após fazer uma rápida contagem lhe faltava uma.

Mas por qual razão essa mulher se preocupou em procurar a moeda perdida, uma vez que em sua posse já estavam as nove dracmas? Afinal, uma única moeda aparentemente não lhe faria falta alguma.

A resposta é simples. A preocupação daquela mulher só tinha uma razão. Todas as moedas não eram exatamente suas, mas de outra pessoa que lhe havia confiado à posse daquelas moedas e que em um determinado tempo voltaria para busca-las.

Mas quem era essa pessoa? E por que confiaria um bem a uma mulher que sequer o texto menciona seu nome?

Os judeus, quando se comprometiam em casamento tinham o costume de dar dotes para as suas noivas. E parte deste dote era dado em moedas, que por vezes eram colocadas na cobertura da cabeça da mulher, formando um círculo de moedas presas a ela.

Tornando um símbolo de aliança, e, portanto, a perda de uma dessas moedas seria de grande ansiedade para quem estava na sua posse, podendo até mesmo não se concretizar o casamento em decorrência da perda do dote.

E foi o que aconteceu com esta mulher. Ela estava prometida para o noivo, o qual lhe havia entregado as dez dracmas, porém sob a condição de que no dia do casamento, todas as moedas deveriam ser devolvidas ou somente apresentadas intactas ao noivo.
Daí a preocupação daquela mulher, posto que o casamento se aproximava e o noivo lhe pediria as moedas que lhe confiou.

As razões pelas quais essa mulher havia perdido aquela moeda não são mencionadas no texto, e pouco nos importa em nossa análise, porém podemos tirar algumas lições quando nos depararmos com tais situações de perda ou dificuldades.

A primeira lição que aprendemos no texto acima é que a mulher ao perder a dracma, antes de qualquer atitude, ascendeu a candeia.

Ascender a candeia significa dizer que devemos identificar com clareza o problema. Não adiantará ficar desesperado. Devemos com muita humildade e racionalidade reconhecer que temos um problema, porém saber exatamente onde ele está localizado e qual é o seu verdadeiro tamanho, afinal, não podemos nos enganar. Identificar o problema já será um enorme passo percorrido para a solução.

Após ter identificado o problema, a mulher varreu a casa. E aqui a varredura tem o sentido de escolher quais os métodos a serem perseguidos ou adotados para se localizar a dracma perdida. Em outras palavras, nós somos responsáveis por obter êxito em nossas empreitadas ou objetivos ao longo de nossas vidas.

Aquela mulher achou por bem varrer a casa, mas poderia ter escolhido outro método para localizar o que havia perdido. Atitude esta que nos demonstra que além de escolher aquele método, a mulher também acreditou que através da varredura iria localizar a moeda perdida.

Mas o texto nos informa que em um determinado momento, ela encontrou dificuldades na busca do que se procurava. Porém ao invés de se lamentar ou parar o que estava fazendo ou buscando, aquela mulher nos dá mais um exemplo, qual seja, o texto nos informa que ela buscou a dracma de maneira incansável, pois enquanto não achou o que se buscava ela não desistiu.

Pois é, três simples atitudes praticadas por aquela mulher que se aplicarmos em nossa vida cotidiana, nos livrará de diversas situações que as vezes acreditamos que são complicadíssimas e nunca iremos sair delas.


Dessa forma, é fundamental sabermos que para todos os problemas ou dificuldades que encontramos na vida haverá soluções. Mas se um dia nos depararmos com alguma situação que aparentemente não podemos resolver, faça igual aquela mulher, não se desespere, mas identifique o seu problema com clareza e racionalidade, escolha o melhor método a ser percorrido acreditando nele e por fim, não desista de alcançar seus objetivos.

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